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Fight Club

Fight Club: rever um bom filme, blablabla. "Foda", é a melhor palavra para descrever a obra. O cérebro do Edward Norton só consegue descansar nas tetas do Meatloaf, até que ele conhece o Brad Pitt, que estava se entupindo de diuréticos para ficar malhado e sequinho - enquanto fazia sabão de sebo de socialáite. Aí eles trocam sopapos, beijos de soda cáustica e recrutam um exército de trocadores de sopapos para causar desordem, castrar juízes e falir a Mastercard. Vá ver correndo, se ainda não viu. Se já viu, vá de novo.

The Big Lebowski

The Big Lebowski: Rever um bom filme é como visitar um velho amigo - já estou cansado de repetir esse clichê. É um filme dos Coen, então não precisa dizer mais nada - mas vou dizer assim mesmo. "Dude" Lebowski é preguiçoso, vagabundo, pobre e fodido. Ele é confundido com outro Lebowski, trabalhador, empresário, rico e poderoso. Por conta disso, e de uns amigos idiotas de fazer inveja ao Durval, a vida do Lebowski fodido vira um inferno. Mas é um inferno dos bons, daqueles que te faz rir pela quantidade de nonsense e pela sensação de impotência. Filmaço, vá ver agora!

Forrest Gump

Forrest Gump: rever um filme bom é como voltar à casa da vovó (dado que você teve uma vovó bacana como a minha, é claro). Tudo está lá onde você se lembra, e tem cheiro familiar - até mesmo os peidos da vovó. Forrest Gump foi um filme foda em 1994, e provavelmente vai continuar sendo foda daqui a 100 ou 200 anos. E é tudo que tenho a dizer sobre isso.

Pajaros de papel

Pajaros de papel: Jorge é comediante na Espanha franquista - pense numa profissão de risco! Ele tem a sua trupe junto com Enrique e outros artistas, e adotam Miguel - órfão bom de palco - durante as andanças pelo país. É claro que fazer humor em tempos de ditadura é igual a barata querer dançar em galinheiro - funciona enquanto ela consegue correr. Engraçado e triste, e no geral um filme foda.

Django Unchained

Django Unchained: Tarantino é sempre Tarantino! Django é um ex-escravo que se torna o gatilho mais rápido dos quatro pontos cardeais, com a ajuda de um caçador de recompensas alemão, e investe na carreira de matar pessoas por dinheiro - certamente se daria bem no Brasil dos dias atuais. Belo remake/homenagem ao Django original, que ficou tão sangrento quanto The Wild Bunch...

Cloud Atlas

Cloud Atlas: nunca tinha ouvido falar do filme, e muito menos do livro. Gratíssima surpresa. Um advogado vitoriano, um compositor dos anos 1930, uma repórter dos anos 1970, um editor dos anos 2010, uma garçonete clonada dos anos 2140 e um pastor dos anos 100 pós-apocalipse, tudo misturado com edição truncada, CG polida e fotografia fodona. Pense em uma história contada a la Memento. Agora pense em 6 histórias ao mesmo tempo - comédia, romance meloso, ação desenfreada, desespero, etc. O único porém é o fato de os atores serem reusados ao longo da obra, então você acaba prestando muita atenção em quem era quem a cada história (a maquiagem é muito boa), e muitas vezes deixa escapar o fio da meada - e sim, é uma meada bem embolada. Vou achar para ler...

Et si on vivait tous ensemble?

Et si on vivait tous ensemble?: Jean, Jeanne, Albert, Claude e Anne são amigos de longa data. Longa mesmo: todos já estão bem avançados nos "enta". Com o peso da idade generalizada, o alzheimer de um, a doença cardíaca de outro, preferem montar uma república a irem todos para o asilo. Tudo às mil-maravilhas, até começarem a perceber que tem um bocado de histórias enterradas entre eles. Bom, muito bom.

Le chat du rabbin

Le chat du rabbin: eu nem sabia que havia um quadrinho homônimo, e fiquei extasiado. A animação é fenomenal, humor judaico da melhor qualidade. Na Argélia dos anos 1920, o gato do rabino Sfar engole um papagaio, e aprende a falar. Sem saber o que fazer com o bichano, que tem um humor felino (Rá! Trocadalho do carilho!), o rabino se mete em altas confusões junto com o sheik Sfar (seu primo muçulmano), um russo comunista e um russo ashkenazi fugido da revolução - todos em busca da cidade perdida dos judeus negros, no chifre da África. Sobra até um cameozinho para o mala do Tintin e o mala do Milu. O gato do rabino ganhou seu lugar na minha escala de "gato mais bacana do cinema" (ao lado do Pangur Bán) e atualmente divide o meu coração com a Temple Grandin.

The cabin in the woods

The cabin in the woods: filmaço. O Joss Whedon se redimiu com louvor da cagada em The Avengers. O filme desconstrói o terror americano (não que seja difícil identificar os elementos, mas até hoje ninguém tinha colocado isso na telona), criando uma superclasse da qual é possível derivar praticamente qualquer filme de mêda feito nos Zuza de 1978 para cá. Cinco amigos vão passar o final de semana numa cabana no mato, e obviamente vários deles vão morrer dolorosamente - mas isso é o menor dos pontos do filme. Qualquer coisa que eu falar, estraga a surpresa. Vá ver correndo! É uma ordem.

Whatever works

Whatever works: Boris é um gênio, ou pelo menos assim afirma. É também um pusta chato, e assim sou eu quem afirma. Sistemático, ranheta, mal-humorado, boca-suja e reclamão - ou seja, ele é, já velho, tudo o que eu já sou hoje. O Boris é meu novo herói. Calha que ele se casa com uma moçoila tão bonita quanto, e mais burra que a Penny. Só que de quebra, ganha de presente a família da Penny: ultra-conservadora, reacionária, membro da NRA e em desintegração. Imagine você a quantidade de reclamações que isso pode gerar. Outra bola dentro do Woody Allen. 

Intouchables

Intouchables: Philippe caga dinheiro, mas precisa que alguém o ajude a se limpar - ele é tetraplégico, por conta de um acidente de parapente. Já o Driss não tem onde cair morto, mas tem braços fortes e nenhuma papa na língua. Por uma conjunção astral qualquer, o segundo acaba indo trabalhar como cuidador do primeiro - e aí tome reviravolta nas duas vidas. O ricaço refinado e triste vai ficar mais tosco e alegre, e o pobretão risonho, grosso feito cano de passar bosta, vai aprender que espancar os vizinhos nem sempre é o melhor meio de se resolver conflitos. Ok, às vezes, é. Parece um filme simplório, mas não é. É um filmaço. Vá correndo ver.

The Mist

The Mist: reler um bom livro ou rever um bom filme, é como reencontrar um bom amigo. "The Mist", apesar de ser baseado em uma obra do Stephen King, não derrapa vergonhosamente após um clímax poderoso. Possivelmente isso é por conta da direção do Frank Darabont, responsável por outras adaptações do SK como The green mile e The Shawshank redemption. Aliás, uma coisa que reparei em "The Mist" é que boa parte do elenco foi também escalada para The walking dead - que também é do Darabont. O filme transcorre em uma cidade do Maine (Fãs do SK: oh, really ?), após uma tempestade que corta a energia e as comunicações. Pai e filho vão ao supermercado comprar mantimentos, e ao chegarem lá, o local inteiro é coberto por uma névoa. Trancados do lado de dentro juntamente com um monte de gente, logo-logo descobrem que a névoa é cheia de coisas, e que as coisas estão com fome. A dose certa de suspense, terror psicológico, fanatismo religioso, e pronto: um filmaço. Antes de saber que era baseado num livro do SK, eu achava que o filme tinha a referência principal em Half-Life - mas pesquisando na Wiki, vi que Half-Life é que usou o livro como inspiração :-D A trilha sonora final, cantada pelo Dead Can Dance, foi usada também em Baraka, e é de arrepiar...

Jeff, who lives at home

Jeff, who lives at home: as coisas das quais o Jeff mais gosta no mundo são, nessa ordem: Signs, a idéia de que tudo acontece por um motivo, e maconha. Ah, e o Jeff já tem mais de 30 anos de idade, e ainda mora no porão da casa da mamãe. O irmão do Jeff é o Pat, que é casado, mora com a esposa e é um idiota perfeito capaz de deixar de comprar uma casa para comprar um Porsche. A mãe do Jeff detesta os dois filhos (com razão), acha que não viveu tudo o que poderia, e gostaria de ser beijada sob uma cachoeira. E tem o Kevin também, mas se eu contar quem ele é, estraga o final. Filmão, filmão.

Juan de los Muertos

Juan de los Muertos: mais um bom exemplo de como fazer um filmão com um dinheirinho. E não apenas um filmão, mas uma comediazona e uma criticazona socialzona. Juan vive em Havana, e tira seu sustento de golpes que aplica em gringos e companheiros, indiscriminadamente. Ele tem lá os outros membros da sua trupe (a filha revoltada com o pai; o amigo idiota a la Barney Gumble; o filho do amigo idiota, que é comedor; a bichinha pão-com-ovo; o bombadão fedorento que tem medo de sangue), e todo mundo acaba no mesmo barco quando os zumbis dissidentes chegam para comer Cuba viva. Nada mais natural, para um sobrevivente, que aproveitar a oportunidade: surge aí a "Juan de los Muertos, matamos seus entes queridos", uma empresa de "limpeza". Certamente, o filme divide o pódio com Shaun of the dead.

God bless America

God bless America: sabe aquela vontade de atirar de escopeta no saco do seu vizinho que ouve sertanejo universitário no último volume, numa quarta-feira à noite ? Ou aquela vontade de dissolver em ácido o FDP que estaciona o carro ocupando mais de uma vaga ? Ou de esfregar um ralador de coco no globo ocular de quem conversa no cinema ? Pois é, o Frank e a Roxy tem essa vontade também. A diferença é que eles resolveram por em ação... God bless America é uma alfinetada (usando uma agulha de tricô, é claro) em todo o mecanismo de idiotização que temos implantado no mundo... De paparazzi a reality shows com famosos, passando por celebridades-instantâneas construídas pelo YouTube, adolescentes mal-criados, pais cuzões e fundamentalistas religiosos de toda cor e sabor. Tem bala para todo mundo. Para mais informações, assista Idiocracy.

Sound of Noise

Sound of Noise: como é bom ver um filme bom! Um grupo de músicos terroristas está usando a cidade para executar uma peça, e fica a encargo do policial amusical, filho de família de fodões da música clássica, capturá-los. Grande comédia, e grandes performances sonoras. Recomendo fortemente.

The Divide

The Divide: a maior surpresa de 2012, até o momento. Filme despretensioso, com atores malomeno conhecidos, mas que impressionou quase tanto quanto Carriers. Nova Iorque toma uma bomba nuclear no lombo, sem saber de onde veio. Um bando de moradores de um prédio se refugia no porão, no apartamento do zelador - que é um paranóico do 9/11, e tem mantimentos entuchados numa despensa. Quando soldados estrangeiros (de etnia oriental, ao que tudo indica - provavelmente foram os mesmos que invadiram a Austrália) aparecem passando o cerol, a galera sabe que a porra lá fora ficou séria. Portas lacradas, é hora dos sobreviventes confrontarem a degradação física e mental do confinamento. Dá-lhe nervoso. Filmão, filmão.

Ronal Barbaren

Ronal Barbaren: animação para se mijar de rir. Ronal pertence a uma tribo de bárbaros, todos bombados e doidos para matar gente. Já ele é um rato seco, que gosta de paz e amor. Quando os bombadões são capturados por um inimigo, é hora do magrelo honrar a tanga que veste. Imagine Conan, 300 e Lord of the Rings, misturados e recontados com o humor fino do Trey Parker ou do Matt Groening - em um formato à la Shrek. Foda, muito foda.

Carnage

Carnage: em uma sigla, F.O.D.A.. Mais um daqueles filmes-teatro, a la Dogville, Manderlay e The man from Earth - um número (razoavelmente) pequeno de atores trancados dentro de um único cenário, sem por o pé no chão e sem sair de cima. Em Carnage, dois casais (mamãe abraçadora de árvores, papai tosco, mamãe perua rica e papai advogado de grande corporação) discutem uma briga entre seus filhos (as duas ÚNICAS cenas fora do cenário são dos dois moleques interagindo). A conversa cordial vai mudando de tom devagarzinho, e faz lembrar o quanto a nossa casca de civilidade é fininha - e olha que nem se trata de questões de vida ou morte. Uma grande comédia, e um filmaço independente do gênero.

El Estudiante

El Estudiante: Chano já tem seus 70 anos, uma esposa amorosa, filhos e netos - e decide voltar aos bancos da escola. Matricula-se na universidade local, onde conhece os seus coleguinhas idiotas: um drogadito, um violeiro tímido, uma wannabe pintora e seu proto-namorado. Entre os problemas pessoais de cada coleguinha idiota, Chano vai ensinando a eles os bons modos de outrora, como atuar Don Quijote e como jogar dominó. Filmão.